TRW Insight / Bangladesh
Do algodão e do açúcar brasileiros às máquinas portuguesas e ao vestuário exportado, cada carga passa pela Customs Act 2023. Saiba como se fixa o valor e a taxa, o que muda com a Finance Act 2026 e como contestar uma cobrança dentro do prazo.
Alfândega em Bangladesh: o que importadores e exportadores precisam saber
A alfândega em Bangladesh funciona desde a entrada em vigor da Customs Act 2023 (Lei n.º 57 de 2023) com um novo código aduaneiro, que substituiu a lei de 1969 e rege cada contentor descarregado em Chattogram e cada carga desembaraçada num porto terrestre. Para exportadores brasileiros de algodão, açúcar, soja e milho, para fabricantes portugueses de máquinas e para quem compra vestuário em Bangladesh, a lei decide o valor tributável, a data da taxa, os prazos de pagamento e o caminho para contestar uma cobrança.
Este guia explica a transição da lei de 1969, a valoração, o custo total da importação, o estatuto de operador econômico autorizado, a auditoria posterior, as decisões prévias de classificação, os entrepostos e as zonas francas, a janela única eletrônica, a resolução alternativa de litígios e os recursos.

Resumo: A Customs Act 2023 revogou a lei de 1969 e codificou o operador econômico autorizado (AEO), a auditoria após o desembaraço, as decisões prévias, a janela única eletrônica e a resolução alternativa de litígios de valoração. O direito e o câmbio fixam-se na data de registro da declaração; o pagamento vence em dez dias; e há três meses para o primeiro recurso e noventa dias para o tribunal especializado. A Finance Act 2026 criou zonas francas e facilitou o estatuto AEO.
Ponto-chave: Não há prazo para cobrar direitos baseados em declaração ou documento falso, enquanto as demais cobranças devem ser emitidas em três anos após o desembaraço.[1] Faturas, contratos, provas de valor e posições de classificação devem ser guardados como se fossem examinados anos depois.
Em resumo
Nova lei
A Lei n.º 57 de 2023 revogou a Customs Act 1969, com salvaguarda dos processos pendentes.
Texto em inglês
O texto oficial em inglês foi publicado pelo SRO n.º 441-Law/2025, de 9 de novembro de 2025.
Operadores confiáveis
O AEO tem formalidades simplificadas e até 14 dias de pagamento diferido.
Litígios
Resolução alternativa para valoração; recurso ao comissário, ao tribunal especializado e ao Tribunal Superior.
2026
A Finance Act 2026 criou zonas francas e facilitou o estatuto AEO.
Índice
Alfândega em Bangladesh: o quadro legal de 2026
A Customs Act 2023 entrou em vigor por notificação do governo, e o seu artigo 269 revoga a lei de 1969 a partir desse momento.[1] A lei foi escrita em bengali; o artigo 268 prevê um texto oficial em inglês, publicado pelo SRO n.º 441-Law/2025, de 9 de novembro de 2025, já com as alterações da Finance Act 2024 e da Finance Ordinance 2025.[1] Em caso de divergência prevalece o texto em bengali.
Uma ordenança de 2025 que alterava a Customs Act 2023 caducou em 11 de abril de 2026, por não ter sido aprovada pelo Parlamento a tempo; as alterações posteriores vieram pela Finance Act 2026.[9] O artigo 252 proíbe ações cíveis contra decisões sobre a cobrança ou a liquidação de direitos, pelo que os litígios seguem a cadeia de recursos da própria lei.[1]
A transição da lei de 1969
Atos praticados ao abrigo da lei antiga valem como praticados ao abrigo da nova, na medida em que sejam compatíveis; processos pendentes sob a lei antiga continuam a ser decididos por ela, e regulamentos e notificações mantêm-se até serem substituídos.[1] Em maio de 2026, o Tribunal Superior (High Court Division) ainda decidia recursos sobre declarações de 2013 a 2023 pela lei de 1969.[7] O primeiro passo em qualquer litígio é saber que lei se aplica.
O comércio luso-brasileiro com Bangladesh
No exercício de 2024-25, Bangladesh importou do Brasil cerca de US$ 2.600 milhões, perto de 3,9% de todas as suas importações, o que fez do Brasil o sexto maior fornecedor do país; açúcar bruto, algodão, soja e milho lideram a pauta.[10] Cada um desses embarques é desembaraçado pelo importador bangladeshiano ao abrigo da lei aduaneira, e uma reclassificação ou uma subida de valor pode atrasar o pagamento ao exportador.
No sentido inverso, compradores portugueses e brasileiros de vestuário trabalham com fábricas que importam tecidos e acessórios em regime de entreposto, sem pagar direitos, contra a obrigação de exportar. A disciplina desse regime decide se a fábrica cumpre prazos ou fica parada numa auditoria.
A graduação de Bangladesh da categoria de país menos desenvolvido estava prevista para 24 de novembro de 2026; em 20 de outubro de 2026 aguardava-se uma decisão da Assembleia Geral da ONU sobre um adiamento para 2029.[11] As preferências tarifárias concedidas a Bangladesh por mercados de destino podem mudar com essa decisão.
Valoração na alfândega em Bangladesh e a data que fixa o direito
O artigo 27, na redação da Finance Ordinance 2025, fixa como valor tributável o preço efetivamente pago ou a pagar pelo qual mercadorias iguais ou semelhantes se vendem no comércio internacional, em plena concorrência e entre partes não relacionadas.[1] A valoração segue as Customs Valuation Rules 2000, alinhadas com o Acordo de Valoração da OMC e com a sua hierarquia de métodos.[4] O valor de transação inclui comissões, embalagem, royalties e pagamentos indiretos ligados à venda.[2]
A Finance Act 2026 aproximou-se do importador: relatórios internacionais de valor de fontes notificadas devem ser considerados, e o funcionário deve fundamentar a rejeição do valor declarado.[3] Direito, valor, classificação, origem e câmbio fixam-se na data de registro da declaração; o câmbio é a média dos trinta dias anteriores fixada pelo NBR.[1] Uma isenção retirada aplica-se mesmo que o contrato ou a carta de crédito sejam anteriores, pelo que o contrato deve repartir o risco de mudança de direitos.[1]

Pagamento, juros e custo total da importação
Direitos e impostos pagam-se em dez dias após a notificação, salvo outra data. O atraso vence juros simples de 1% ao mês, por no máximo vinte e quatro meses. O pedido de reembolso de direitos pagos por erro deve ser feito em três anos.[1]
A fatura da importação vai além do direito aduaneiro: soma direito regulatório, direito suplementar, IVA, imposto de renda antecipado e imposto antecipado. O IVA e os impostos antecipados são, em geral, recuperáveis ou compensáveis; os direitos aduaneiro, regulatório e suplementar são custo do importador.[2] As isenções mudam depressa e devem ser confirmadas para cada código do Sistema Harmonizado. O artigo sobre o direito de importação em Bangladesh traz um cálculo completo.
Operador econômico autorizado e auditoria posterior
O artigo 97 permite ao NBR conceder o estatuto de AEO a pessoas estabelecidas em Bangladesh que cumpram critérios de conformidade e risco, com formalidades simplificadas e reconhecimento mútuo com outros países; o artigo 35(2) permite pagamento diferido até catorze dias após o desembaraço, contra garantia.[1] As regras de 2024 exigem, para não fabricantes, capital mínimo elevado e volume mínimo de comércio em três anos.[2]
A Finance Act 2026 dispensou o relatório de auditoria no pedido e subiu as percentagens mínimas de desembaraço automático em canal verde para 40%, 60% e 80%, conforme a classe.[3] Em contrapartida, o capítulo XIII dá aos funcionários acesso amplo aos livros e registros do importador para auditoria após o desembaraço, e o NBR pode nomear auditores profissionais.[1]
Prazos de cobrança
Uma cobrança ordinária deve ser emitida em três anos, em regra a contar do desembaraço; não há limite quando se baseia em declaração ou documento falso.[1] Para a declaração falsa, a pena vai de uma a duas vezes os direitos evadidos, com confisco, ou prisão até cinco anos em caso de condenação.[1]
Decisões prévias de classificação
O artigo 258 permite ao NBR emitir decisões aduaneiras sobre classificação, taxas ou valoração, e qualquer pessoa pode pedir uma decisão prévia sobre a classificação e a origem antes da importação; a decisão vincula todos os funcionários.[1] O pedido deve ser feito pelo menos sessenta dias antes da importação, com taxa de Tk 2.000, e a decisão vale trinta e seis meses.[2] A alfândega publica uma base de dados das decisões emitidas.[5]
O valor prático aparece nos tribunais. Em Hakkani Motors Ltd, decidido em 13 de maio de 2026, uma grua declarada numa posição foi liquidada noutra após uma decisão do NBR, e o recurso do importador contra a execução da sua garantia bancária falhou.[8] Para máquinas de fabricantes portugueses com classificação discutível, uma decisão prévia antes do embarque fixa a posição.

Entrepostos, zonas francas e janela única
O capítulo XVI permite colocar mercadorias importadas em entreposto sem pagar direitos, mediante garantia geral fixada pelo comissário.[1] Licenças de entreposto são concedidas a unidades total ou parcialmente exportadoras por três anos renováveis.[2] Em Green World Fashion Ltd, de 13 de maio de 2026, o Tribunal Superior anulou uma cobrança sobre tecido em regime de entreposto usado em vestuário efetivamente exportado e reduziu a multa para Tk 50.000.[7]
A Finance Act 2026 introduziu as zonas francas: não exigem licença de entreposto, permitem comércio, embalagem e reembalagem ao lado da fabricação, e os direitos só se pagam quando os produtos entram no mercado interno.[3] A janela única eletrônica (Bangladesh Single Window), prevista no artigo 175, tornou obrigatória desde 1 de julho de 2025 a obtenção por via eletrônica de certificados e licenças de 19 organismos para o desembaraço.[1] [2]
Despachantes precisam de licença, e os seus atos presumem-se praticados com o conhecimento do importador.[1] Gerir o despachante com o mesmo cuidado que o próprio pessoal é uma regra simples da alfândega em Bangladesh.
Litígios e recursos na alfândega em Bangladesh
O capítulo XXV permite resolução alternativa de litígios sobre o valor de mercadorias importadas e multas ligadas à valoração e à classificação, antes do fim da decisão ou do recurso. Ficam excluídos fraude, contrabando, lavagem de dinheiro, litígios de classificação, declaração falsa de descrição, quantidade ou código, e violações do regime de entreposto.[1]
Da decisão de um funcionário abaixo de comissário cabe recurso ao Commissioner of Customs (Appeal) em três meses, prorrogáveis por dois; o recurso não decidido em dois anos considera-se procedente. Ao Customs, Excise and VAT Appellate Tribunal recorre-se em noventa dias, prorrogáveis por sessenta, e ao Tribunal Superior em noventa dias após a decisão do tribunal especializado.[1] Se as mercadorias já saíram da alfândega, o recurso exige em regra depósito de 10% dos direitos exigidos ou da multa.[1]
Use a via legal: em maio de 2026, o Tribunal Superior rejeitou por inadmissível uma petição de writ do próprio comissário de Chattogram contra uma decisão que podia ter sido objeto de recurso.[6]
| Via | Base legal | Prazo | Adequada para | Ponto-chave |
|---|---|---|---|---|
| Decisão prévia | Artigo 258 | 60 dias antes da importação | Classificação e origem | Vincula todos os funcionários |
| Resolução alternativa | Artigos 216 a 219 | Antes do fim da decisão ou do recurso | Valoração e multas conexas | Exclui classificação e declaração falsa |
| Commissioner (Appeal) | Artigos 220 e 221 | 3 meses, mais 2 | Decisões abaixo de comissário | Procedente se não decidido a tempo |
| Appellate Tribunal | Artigos 225 a 228 | 90 dias, mais 60 | Decisões de comissário e de primeiro recurso | Pode suspender a cobrança |
| High Court Division | Artigos 229 a 231 | 90 dias | Questões das decisões do tribunal | Coletivo de pelo menos dois juízes |
| Reembolso | Artigo 34 | 3 anos do pagamento | Direitos pagos por erro | Conta da liquidação final se provisória |
Fixe a classificação
Peça decisão prévia pelo menos sessenta dias antes do embarque quando o código for discutível.
Documente o valor
Contratos, faturas, pagamentos, royalties e comissões no mesmo dossiê.
Planeje a data de registro
Direito e câmbio fixam-se no registro da declaração; atenção às mudanças do orçamento.
Escolha o regime
Entreposto, zona franca, EPZ ou importação definitiva, conforme o destino da produção.
Instrua o despachante
Os atos do despachante presumem-se autorizados pelo importador.
Responda a notificações
Valoração pode ir à resolução alternativa; classificação segue a via de recurso.
Recorra no prazo
Três meses, noventa dias e noventa dias, com depósito prévio quando aplicável.

As decisões que mais pesam são tomadas antes da chegada da carga: classificação, provas de valor, entreposto ou AEO e instruções ao despachante. A prática de conformidade aduaneira e comercial da TRW assessora importadores, exportadores e unidades em entreposto. Veja ainda a valoração aduaneira, os entrepostos aduaneiros e o original inglês, Customs Act 2023 Bangladesh.
Perguntas frequentes
A Customs Act 2023 substituiu a lei de 1969?
Sim. O artigo 269 revoga a lei de 1969 com a entrada em vigor da nova lei, com salvaguarda dos processos e dívidas pendentes.[1]
Existe versão oficial em inglês?
Sim, publicada pelo SRO n.º 441-Law/2025, de 9 de novembro de 2025.[1]
Como a alfândega em Bangladesh determina o valor?
Que data fixa a taxa do direito?
A data de registro da declaração de mercadorias; o câmbio é a média dos trinta dias anteriores fixada pelo NBR.[1]
Posso obter uma decisão prévia de classificação?
Sim, pelo menos sessenta dias antes da importação, com taxa de Tk 2.000; vale trinta e seis meses.[2]
Quais são as vantagens do estatuto AEO?
Quanto tempo tem a alfândega para cobrar?
Três anos, em regra a contar do desembaraço; sem limite em caso de declaração ou documento falso.[1]
Que litígios admitem resolução alternativa?
Litígios de valoração e multas conexas; classificação, fraude e declaração falsa ficam excluídos.[1]
Qual é o prazo para recorrer?
Três meses para o comissário de recursos, noventa dias para o tribunal especializado e noventa dias para o Tribunal Superior.[1]
O que mudou com a Finance Act 2026?
Zonas francas, estatuto AEO mais acessível, regras de valoração mais favoráveis e novos limites de garantia para entrepostos.[3]
Registo de fontes
Fontes jurídicas e regulatórias primárias
Materiais verificados em 24 de outubro de 2026. Confirme o texto oficial em vigor antes de se basear em qualquer disposição.
- Customs Act 2023 (Act No. 57 of 2023), authentic English text, SRO No. 441-Law/2025 — National Board of Revenue
- PwC Worldwide Tax Summaries — Bangladesh: Other taxes (customs)
- PwC Bangladesh, 2026 — Finance Act 2026: Key Amendments
- Bangladesh Customs — Valuation procedure and the Customs Valuation Rules 2000
- Bangladesh Customs — Advance ruling database
- High Court Division, Writ Petition No. 10279 of 2025, Commissioner of Customs, Chattogram v Customs, Excise and VAT Appellate Tribunal (20 May 2026)
- High Court Division, Customs Appeal No. 373 of 2021, Green World Fashion Ltd v Customs, Excise and VAT Appellate Tribunal (13 May 2026)
- High Court Division, Customs Appeal No. 125 of 2020, Hakkani Motors Ltd v Customs, Excise and VAT Appellate Tribunal (13 May 2026)
- The Daily Star, 11 April 2026 — 20 ordinances lose validity
- Dhaka Tribune, 19 June 2026 — Brazil dominates Argentina in trade ties with Bangladesh
- The Daily Star, October 2026 — Bangladesh expects LDC deferment decision this month
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