TRW Insight / Bangladesh
Desde 23 de agosto de 2026, uma única autoridade substitui a BIDA, a BEZA e a autoridade de PPP. As aprovações antigas continuam válidas, mas incentivos, terrenos e prazos dependem agora da nova lei e de notificações oficiais — e, sem tratado com Portugal ou o Brasil, do que ficar escrito.
Lei Invest Bangladesh: o novo quadro de investimento em 2026
A lei Invest Bangladesh (Invest Bangladesh Act 2026, Lei n.º 104 de 2026) é a maior reforma da arquitetura de investimento do país desde o início do programa de zonas económicas, em 2010. Revogou quatro leis, extinguiu a Bangladesh Investment Development Authority (BIDA), a Bangladesh Economic Zones Authority (BEZA) e a Public-Private Partnership Authority (PPPA) e criou uma única entidade, a Invest Bangladesh Authority. A autoridade começou a funcionar a 23 de agosto de 2026.[2]
Para uma empresa portuguesa ou brasileira com um projeto em Bangladesh, ou com uma aprovação antiga da BIDA ou da BEZA, a pergunta é prática: o que continua válido, a quem se dirigem agora os pedidos e o que a nova lei dá, ou não dá, ao investidor. Este guia responde com o texto da lei e as informações oficiais disponíveis a 24 de outubro de 2026.

Resumo: A Invest Bangladesh Act 2026 fundiu a BIDA, a BEZA e a autoridade de PPP na Invest Bangladesh Authority, sob o Gabinete do Primeiro-Ministro. Registos, atribuições de terrenos em zonas, contratos de PPP e processos pendentes continuam ao abrigo da nova lei. A BEPZA e a Hi-Tech Park Authority não foram extintas. Incentivos fiscais e aduaneiros só existem quando o governo os concede por notificação no Diário Oficial (Gazette).
Ponto-chave: A secção 66 da lei considera praticado ao abrigo da nova lei tudo o que foi feito sob as leis revogadas e transfere para a Invest Bangladesh todos os contratos, direitos, dívidas e processos da BIDA, da BEZA e da PPPA.[1] Um registo da BIDA ou uma atribuição da BEZA não caducam, mas cada novo pedido, alteração ou litígio corre agora contra a nova autoridade.
Em resumo
Uma autoridade
BIDA, BEZA e PPPA foram extintas e substituídas pela Invest Bangladesh Authority, com sede em Daca.
Datas
Lei de 16 de julho de 2026, em vigor desde 20 de agosto e operacional desde 23 de agosto de 2026.
Áreas industriais
As zonas económicas, zonas francas e zonas privadas de exportação anteriores passaram a ser áreas industriais.
Prazos vinculativos
A autoridade pode fixar prazos para licenças, serviços públicos, vistos e autorizações de trabalho.
Fora da fusão
A BEPZA e a Hi-Tech Park Authority continuam como entidades separadas, com as suas próprias leis.
Índice
Porque Bangladesh reformou as suas agências de investimento
Durante anos, o investidor lidou com agências sobrepostas: uma fábrica numa zona económica tratava com a BEZA, uma fábrica fora dela com a BIDA e uma concessão de infraestrutura com a autoridade de PPP. O investimento direto estrangeiro rondou os USD 2.000 milhões por ano e, das 97 zonas económicas aprovadas, só cerca de dez estavam a funcionar uma década depois.[12]
O governo justificou a nova lei com a falta de um verdadeiro balcão único. O Conselho de Ministros aprovou o projeto a 9 de julho de 2026 e o Parlamento aprovou-o a 15 de julho, sem passagem por comissão; a oposição criticou a rapidez e a falta de consulta.[4] Uma lei aprovada assim tende a ter lacunas, e é razoável esperar alterações, regulamentos e orientações nos próximos meses.
A lei Invest Bangladesh em resumo: datas, estrutura e entrada em vigor
A lei Invest Bangladesh tem data de 16 de julho de 2026. A secção 1(2) remeteu a entrada em vigor para uma notificação no Gazette; a imprensa noticiou que essa notificação fixou o dia 20 de agosto de 2026.[6] A autoridade começou a funcionar no primeiro dia útil seguinte à publicação, 23 de agosto, sob o Gabinete do Primeiro-Ministro, liderada por Ashik Chowdhury, antes presidente executivo da BIDA e da BEZA.[2][5]
A secção 3 dá à lei prevalência sobre qualquer outra lei em vigor. A lei foi aprovada em bengali; a secção 67 prevê a publicação de um texto autêntico em inglês, e o texto bengali prevalece em caso de divergência.[1] Até lá, qualquer resumo em inglês ou em português é uma tradução: quando um ponto depende da redação, leia o original.
O que foi revogado e o que não foi
A secção 66(1) revoga a Bangladesh Economic Zones Act 2010, a lei de PPP de 2015, a BIDA Act 2016 e a One Stop Service Act 2018, e extingue a BEZA, a autoridade de PPP e a BIDA.[1] Notícias da época referiam que a Hi-Tech Park Authority também seria integrada, mas a lei publicada não revoga a legislação dos parques tecnológicos nem a das zonas francas de exportação. A BEPZA e a Hi-Tech Park Authority continuam, portanto, separadas.[3]

A Invest Bangladesh Authority: governo e funções
A secção 4 cria a autoridade como pessoa coletiva de direito público, composta por um presidente e sete membros a tempo inteiro, nomeados pelo governo. A secção 7 cria um conselho diretivo presidido pelo Primeiro-Ministro ou por quem este designar, com sete ministros, o governador do Bangladesh Bank, secretários de Estado e quatro representantes do setor privado, dois dos quais mulheres.[1]
A secção 6 atribui à autoridade a promoção do investimento, a aprovação de incentivos e de joint ventures entre capital nacional e estrangeiro, a recomendação de vistos e a emissão de autorizações de trabalho para expatriados de indústrias e de escritórios de sucursal, ligação e representação. Nas áreas industriais, cabe-lhe a escolha de locais, a atribuição de terrenos, a nomeação de promotores e a entrega de licenças através da plataforma digital única.[1]
Zonas económicas passam a áreas industriais
A mudança de conceito mais importante é a de “área industrial”. A secção 2(32) define-a como a área declarada pelo governo ao abrigo da secção 16 e inclui expressamente todas as zonas económicas, zonas francas e zonas privadas de exportação que existiam antes da entrada em vigor da lei.[1] Uma zona da BEZA não desapareceu a 20 de agosto de 2026: passou a ser uma das áreas industriais da nova lei.
A secção 12 prevê sete categorias de áreas industriais, entre elas as de PPP, as privadas criadas por investidores locais ou estrangeiros, as públicas, as de governo a governo e as zonas francas ligadas à Customs Act 2023. Pela secção 16, uma área só existe quando o governo a declara por notificação no Gazette, com a descrição do terreno.[1] Antes de investir com base no estatuto de zona, obtenha essa notificação e confirme que o seu lote está dentro do terreno descrito.
Terrenos, atribuição e cancelamento
Pela secção 17, o terreno necessário para uma área industrial, ou para um projeto registado fora dela, considera-se de interesse público e pode ser expropriado a pedido da autoridade. A secção 19 permite atribuir, arrendar ou alugar terrenos e edifícios; a secção 20 permite suspender ou cancelar por incumprimento ou uso não autorizado.[1] Financiadores que aceitem garantias sobre arrendamentos em zonas devem ler estes fundamentos com atenção.

Incentivos: a lei Invest Bangladesh não os dá diretamente
Uma leitura errada frequente é a de que a lei Invest Bangladesh concede isenções fiscais ou aduaneiras. Não concede. As secções 21 e 22 permitem ao governo conceder, por notificação no Gazette e por prazo determinado, facilidades aduaneiras especiais e incentivos financeiros e não financeiros a projetos dentro das áreas industriais e a projetos registados fora delas.[1]
A secção 26 permite isentar promotores, operadores ou unidades de leis enumeradas, entre elas a Stamp Act 1899, a Foreign Exchange Regulation Act 1947, a lei do IVA e a Income Tax Act 2023, também por notificação.[1] É um poder, não um direito. Os investidores das zonas já pediram, em junho de 2026, a reposição de uma isenção fiscal de dez anos e de direitos zero sobre máquinas.[13]
Royalties e assistência técnica
A secção 27 obriga a empresa industrial que pague royalties, know-how, assistência técnica ou franchising a uma entidade estrangeira a pedir à autoridade a fixação do montante; o valor fixado é o que pode ser pago.[1] Para um grupo português que licencia uma marca ou um brasileiro que presta assistência técnica a uma fábrica, isto deve estar previsto antes de assinar o contrato de licença.
Registo de projetos e prazos vinculativos
Pela secção 28, quem pretende instalar uma indústria no setor privado pede o registo do projeto à autoridade, salvo se estiver sob outra autoridade legal, como a BEPZA ou a Hi-Tech Park Authority. A carta de registo fixa o prazo de execução e decide, conforme o caso, sobre crédito externo, terreno, desalfandegamento, licenças ambientais, de bombeiros e de construção, vistos, autorizações de trabalho e ligações a serviços públicos.[1]
A secção 28(5) é a peça central: as decisões da autoridade sobre esses serviços valem como decisões da entidade competente, e as agências têm de agir no prazo fixado; se falharem, a autoridade pode ordenar ou recomendar medidas contra o responsável.[1] É esta a base jurídica do regime de licenciamento em 14 dias que a autoridade diz estar a implementar.[2] Guarde prova datada de cada pedido e reclame por escrito quando um prazo falhar.
Restrições depois do registo
A secção 28(8) proíbe mudar o tipo de indústria aprovada ou a sua titularidade sem autorização prévia.[1] Vendas de ações e reorganizações de grupo numa sociedade registada exigem, por isso, uma verificação junto da Invest Bangladesh antes da assinatura. A secção 29 exige também autorização da autoridade para abrir sucursais e escritórios de ligação, de representação ou de projeto.[1][9]
BanglaBiz, a plataforma digital única
A secção 50 impõe uma plataforma digital única para todos os serviços, licenças e autorizações, à qual todas as agências se devem ligar; os portais existentes migram por fases.[1] A autoridade continua a operar a BanglaBiz como essa plataforma.[2] Enquanto a migração decorre, confirme o canal certo para cada pedido.
| Tema | Até agosto de 2026 | Desde a nova lei |
|---|---|---|
| Promoção e registo de investimento | BIDA | Invest Bangladesh Authority |
| Zonas económicas | BEZA | Áreas industriais sob a Invest Bangladesh |
| Projetos de PPP | PPP Authority | Capítulo próprio da nova lei |
| Zonas francas de exportação | BEPZA | BEPZA (sem alteração) |
| Parques tecnológicos | Hi-Tech Park Authority | Hi-Tech Park Authority (sem alteração) |
| Plataforma de serviços | One Stop Service e portais próprios | Plataforma digital única (BanglaBiz) |

O que a lei Invest Bangladesh significa para empresas portuguesas e brasileiras
A lei Invest Bangladesh é uma consolidação administrativa, não um código de investimento. Comentadores sublinham que não define “investimento” nem “investidor”, não fixa padrões de tratamento nacional, expropriação ou transferência de capitais e não cria um mecanismo independente de reclamação.[7] Essas proteções continuam a vir da Foreign Private Investment (Promotion and Protection) Act 1980 e dos tratados bilaterais de investimento.
Aqui está a diferença para quem investe a partir de Portugal ou do Brasil: Bangladesh não tem tratado bilateral de investimento com nenhum dos dois países[10] nem convenção para evitar a dupla tributação.[11] Sem tratado, os compromissos da autoridade — incentivos, terrenos, prazos — devem ficar escritos na carta de registo ou no contrato de atribuição, para que a proteção da lei de 1980 tenha algo concreto a proteger. Grupos com holdings em países com tratado devem analisar a estrutura antes de investir.
Quem escolhe uma zona franca de exportação continua a tratar com a BEPZA, que oferece incentivos próprios, incluindo 100% de capital estrangeiro e repatriação integral.[8] A escolha entre zona franca, parque tecnológico ou área industrial continua a ser uma escolha de regulador.
Erros a evitar
- Presumir o estatuto de zona sem a notificação da secção 16 e a descrição do terreno.
- Contar com incentivos que ainda não foram notificados no Gazette.
- Vender ações de um projeto registado sem a autorização da secção 28(8).
- Pagar royalties à casa-mãe sem o montante fixado ao abrigo da secção 27.
- Manter contratos com referências à BIDA ou à BEZA sem atualizar notificações e cláusulas de consentimento.
Inventarie as aprovações
Registos da BIDA, atribuições da BEZA, autorizações de trabalho e contratos de PPP em vigor.
Atualize os contratos
Substitua referências à BIDA, BEZA ou PPPA e reveja cláusulas de notificação e consentimento.
Confirme o regulador
Invest Bangladesh, BEPZA ou Hi-Tech Park Authority, conforme a localização do projeto.
Verifique o Gazette
Notificação da área industrial e do incentivo pretendido, com classe de beneficiário e prazo.
Registe o projeto
Pedido na BanglaBiz, com prazos de execução e de serviços escritos na carta de registo.
Peça a fixação de royalties
Antes de pagar royalties ou assistência técnica, obtenha o montante fixado pela autoridade.
Documente cada prazo
Guarde prova datada dos pedidos e reclame por escrito quando uma agência falhar.
Para a análise completa em inglês, veja o nosso guia da Invest Bangladesh Act 2026, o guia de investment approvals e a nossa prática de parques industriais e zonas económicas.
Perguntas frequentes
O que é a lei Invest Bangladesh?
É a Lei n.º 104 de 2026, de 16 de julho de 2026, que criou a Invest Bangladesh Authority e extinguiu a BIDA, a BEZA e a autoridade de PPP.[1]
Desde quando funciona a Invest Bangladesh?
As aprovações da BIDA e da BEZA continuam válidas?
Sim. A secção 66 considera praticados ao abrigo da nova lei os atos anteriores e transfere contratos e processos para a Invest Bangladesh.[1]
A BEPZA foi integrada na Invest Bangladesh?
O que é uma área industrial?
Uma área declarada por notificação no Gazette ao abrigo da secção 16, incluindo as zonas económicas, zonas francas e zonas privadas de exportação anteriores.[1]
A lei dá isenções fiscais?
Não diretamente. Permite ao governo conceder incentivos e isenções por notificação, e cada benefício existe só nos termos dessa notificação.[1]
A Invest Bangladesh pode obrigar outras agências a cumprir prazos?
Para projetos registados, sim: a secção 28 permite fixar prazos e trata as decisões da autoridade como decisões da entidade competente.[1]
Posso vender as ações de um projeto registado livremente?
Não sem autorização prévia: a secção 28(8) proíbe mudar a titularidade ou o tipo de indústria aprovada sem permissão.[1]
Há tratado de investimento entre Bangladesh e Portugal ou o Brasil?
Não. A lista da UNCTAD não inclui tratados bilaterais de investimento com nenhum dos dois países.[10]
Registo de fontes
Fontes jurídicas e regulatórias primárias
Materiais verificados em 24 de outubro de 2026. Confirme o texto oficial em vigor antes de se basear em qualquer disposição.
- Invest Bangladesh Act 2026 (Act No. 104 of 2026) — Laws of Bangladesh (Bengali text)
- Invest Bangladesh, 23 August 2026 — Invest Bangladesh begins journey as country's apex investment promotion agency
- The Business Standard, 20 August 2026 — Bida, Beza, PPPA merge as Invest Bangladesh takes effect
- The Daily Star, 16 July 2026 — Invest Bangladesh Bill passed, four agencies merge
- The Daily Star, 23 August 2026 — Invest Bangladesh begins operations, merging three investment bodies
- Daily Observer, 21 August 2026 — Invest Bangladesh Act brought into force by notification
- Oxford Business Law Blog, 5 October 2026 — Beyond institutional merger: why the Invest Bangladesh Act 2026 may not be enough
- BEPZA — Why BEPZA: incentives and facilities
- Invest Bangladesh — FAQ
- UNCTAD Investment Policy Hub — International investment agreements: Bangladesh
- National Board of Revenue — Double Taxation Avoidance Agreements
- Jagonews24, 8 September 2026 — Invest Bangladesh: can restructuring turn investment plans into results?
- The Daily Star, June 2026 — BEZIA calls for tax holiday reinstatement, zero duty on capital machinery
Apoio da TRW
Da informação a um próximo passo concreto
A TRW assessora investidores de Portugal e do Brasil no registo de projetos, na transição de aprovações da BIDA e da BEZA, em terrenos em áreas industriais e na fixação de royalties. Conheça a nossa prática de parques industriais e zonas económicas, marque uma reunião ou fale com os nossos advogados em Daca.











